Para que o Pnaic seja implementado, desde o anúncio do pacto, em novembro do ano passado,
o Ministério da Educação (MEC) trabalha na formação de uma rede que
envolve estados, municípios, universidades e escolas na capacitação,
ensino e avaliação da fase que compreende o ciclo da alfabetização: 1º,
2º e 3º anos da educação básica.
Um total de 37 universidades públicas é
responsável pela formação dos orientadores de estudo que por sua vez
serão responsáveis pela capacitação dos professores alfabetizadores. De
acordo com o calendário proposto pelo MEC, a formação dos orientadores
acontece desde dezembro do ano passado em alguns estados. Até março a
primeira etapa da formação – 40 horas do total de 400 horas, 200 por ano
até 2014 – será concluída e será a vez dos professores receberem as
aulas – com carga horária de 120 horas por ano.
“O Pnaic é um projeto nacional firmado
com todos os entes federativos. Cada um tem uma responsabilidade grande
para que o processo de alfabetização seja bem sucedido. Com o plano,
haverá um diálogo nacional. Ao mesmo tempo é importante que saibamos
guardar as especificidades de cada localidade e que os professores
possam criam em cima do material disponível”, diz Regina Aparecida
Marques de Souza, coordenadora do Grupo de Estudos em Letramento em
Educação da Infância e do programa na Universidade Federal do Mato
Grosso do Sul (UFMS).
A UFMS programou a formação dos
orientadores para o período de 4 a 8 de março. São esperados 245
professores formadores que partirão para os municípios a fim de
capacitar os 5.238 professores alfabetizadores da rede pública do
estado. Assim como a UFMS, outras nove universidades com as quais a Agência Brasil entrou em contato estão otimistas com o pacto.
O material para a capacitação,
desenvolvido pela Universidade de Pernambuco (UFPE) com a colaboração de
11 instituições de ensino superior foi elogiado pelos coordenadores do
pacto. O material, no entanto está disponível apenas na versão digital.
“O material só foi liberado na versão final no início de janeiro de
2013. Muito tarde para conseguir cópias impressas para as primeiras
formações”, diz o coordenador-geral do Pnaic na Universidade Federal do
Recôncavo da Bahia (UFRB), Jaylson Teixeira. Na universidade, a formação
dos primeiros 442 orientadores vai do dia 18 ao dia 22 de fevereiro.
Eles serão responsável pela formação dos docentes de 155 municípios.
A Universidade Federal de Sergipe (UFS)
tomou a iniciativa de complementar o material com slides e vídeos, para
facilitar a absorção do conteúdo. A primeira etapa do curso de
capacitação já foi realizada pela universidade do dia 28 ao dia 30 de
janeiro e nos dias 5 e 6 de fevereiro, totalizando as 40 horas
previstas. Para o professor e líder do Grupo de Estudo e Pesquisa em
Alfabetização, Discurso e Aprendizagens (Geadas) da UFS, José Reicardo
Carvalho, “a capacitação ainda está no início, estamos observando”.
De acordo com o Censo Escolar de 2011 do
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
(Inep), no qual se baseia o planejamento do Pnaic, há cerca de 380 mil
docentes lecionando do 1º ao 3º anos do ensino fundamental, que devem
ser capacitados e receber um material desenvolvido para auxiliar no
planejamento das aulas. Para cada grupo de 25 professores está previsto
um orientador. O MEC estima que serão cerca de 18 mil orientadores.
O Pacto receberá investimento de R$ 3,3
bilhões em dois anos. Para incentivar a participação dos profissionais
serão oferecidas bolsas de R$ 200 mensais para o professor
alfabetizador; R$ 765 para o orientador de estudo; R$ 765 para o
coordenador das ações do pacto nos estados, Distrito Federal e
municípios; R$ 1.100 para o formador da instituição de ensino superior;
R$ 1.200 para o supervisor da instituição de ensino superior; R$ 1.400
para o coordenador adjunto da instituição de ensino superior; e R$ 2.000
para o coordenador-geral da instituição de ensino superior.
Segundo o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), entre 2000 e 2010, a taxa de
analfabetismo no Brasil, até os 8 anos de idade, caiu 28,2%, com
variações entre os estados da federação, e alcançou, na média nacional,
uma taxa de alfabetização de 84,8% das crianças. Entre as regiões,
existe uma diferença na taxa de analfabetismo, a maior está no Nordeste,
25,4%, seguido do Norte, 27,3%, Centro-Oeste, 9%, Sudeste, 7,8% e Sul,
5,6%. O estado com a maior taxa de analfabetismo é Alagoas, 35%, e o com
a menor é o Paraná, com 4,9%.
Fonte: Agência Brasil
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