segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Enquanto Pernambuco vive apogeu, sertanejos são obrigadas a vender animais e eletrodomésticos


Bem longe da festa do consumo.Em Sertânia, Rozenildo não conseguiu pagar parabólica, agora tem TV sem imagem. Enquanto Pernambuco vive apogeu econômico, famílias castigadas pela mais grave seca dos últimos 30 anos são obrigadas a vender animais e a se desfazer de eletrodomésticos. Há anos, Pernambuco desfruta de uma situação econômica confortabilíssima, exaltada nas indústrias instaladas, no crescimento imobiliário e na Arena da Copa. Tal crescimento, que fez do Estado uma espécie de Eldorado, não está refletido no Semiárido, que sofre sua pior estiagem em 40 anos. De hoje até terça (20), o Jornal do Commercio traz as histórias daqueles que, convidados a participar do consumo festejado pelo mercado, precisam optar entre alimentar a família e os animais ou manter os bens que adquiriram quando a seca parecia ser um problema do passado. Não fazem parte, hoje, das abastadas classes A ou B, nem das cobiçadas C, D e E. A eles, restou participar da classe seca.

 

Quando Edilma e Rozenildo se mudaram para a Fazenda Xilili, em Sertânia (380 quilômetros do Recife), a vida parecia boa: recém-casados, eles esperavam uma filha (Eloá, hoje com 2 anos) e deixavam Arcoverde, onde não havia trabalho, para morar de graça em uma das modestíssimas casas da fazenda. Em troca, tinham que cuidar dos animais e plantações de um proprietário que não se comprometeu a pagar qualquer salário, mas permitia que a família cultivasse hortas e criasse ali suas duas únicas cabras. No primeiro ano, foi possível colher melancia, feijão, milho, jerimum. Compraram mais animais. Rozenildo, vaqueiro de 23 anos, também se candidatava a pegar boi na caatinga, o que lhe garantia alguma renda: chegou a receber R$ 500 depois de capturar um animal dos mais brabos. Quando a paisagem começou a se ressentir dos meses sem chuva, eles não deram muita importância: há anos, aquilo não acontecia.

Publicado em 18/11/2012, às 07h10-

Foto: Ricardo B. Labastier/JC Imagem

Fabiana Moraes - fmoraes@jc.com.br

 



 

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